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God of War é porta de entrada para uma jornada épica


Pode conter informações consideradas Spoiler, mas evitarei falar da história ao máximo.

Vou começar o texto dizendo que eu não joguei para fazer review. Joguei como o player normal que sempre fui, em doses regulares, sentindo vontade de alcançar mais e mais dentro do jogo. E o novo God of War consegue fazer exatamente isso, criar o desejo de jogar e ir além nessa saga, sem nunca se sentir cansado. Até porquê os desenvolvedores foram espertos e colocaram as partes maçantes do jogo como opcionais, em outros mundos, que não precisam ser visitados obrigatoriamente. Todo o grinding e loot atrás de itens melhores, mas não essenciais, estão presos à Muspelheim, que desafia o jogador em uma série de batalhas com regras específicas – sobreviva por um período, derrote certos inimigos, etc – e Niflhein, com exploração aleatória de mapa e inimigos.

É importante ressaltar – pelo que já vi de reviews e críticas – que jogar no modo difícil torna a experiência mais interessante e imersiva, elevando pontos dos elementos de RPG oferecidos no game. Conhecer um pouco da mitologia nórdica também ajuda muito nessa questão – aqui recomendo o livro Mitologia Nórdica, de Neil Gaiman.

A história do jogo é sensacional, mas somente após vivenciada por inteiro. No começo do jogo é normal ter a sensação de que qualquer outro personagem poderia estar no lugar de Kratos, mas no fim é indispensável que seja ele no roteiro. Os gráficos são um primor, facilmente entre os melhores da geração, e o fato de não haver tela de loading torna toda a experiência crível. O gancho final, abrindo portas para inúmeras oportunidades em futuras continuações, é estrondoso.

Mas a nova trama do Deus da Guerra tem sim seus defeitos, e já falaremos sobre eles.

Eu quero sangue!

Talvez a primeira ausência que os fãs da série God of War sentem no jogo é a ausência da abundância de sangue. Rasgar um inimigo ao meio e ver uma “geleia” de fogo é um pouco decepcionante, apesar de bem enquadrado no contexto. Nenhum dos movimentos de finalização é tão prazeroso quanto arrancar o único olho de um ciclope, de jogos anteriores.

A primeira luta contra um gigantesco troll carregando uma pedra é épica, porém na quinta vez que derrota um inimigo similar, a coisa já não empolga tanto. Cada troll tem seu “nome próprio”, mas faltou ter uma personalidade individual também, para tornar as lutas inesquecíveis.

E talvez isso seja o que mais fez falta em God of War: Batalhas que ficarão na memória. As lutas necessárias para a história empolgam mais nas cutscenes do que no gameplay. Mesmo o “último chefe” não gera aquele desespero para conseguir derrotá-lo – isso só acontece com as Valquírias, outra parte opcional do jogo. Mas olhando a linhagem de God of War como um todo, as batalhas estão no patamar dos anteriores.

Bom Garoto

O melhor do jogo, disparado, é a relação pai e filho entre Kratos e Atreus. Não vamos nos enganar: Quando foi anunciado o primeiro teaser que aparecia Atreus, 99,99% do mundo ficou com a pulga atrás da orelha, com a possibilidade do jovem ser um mala. Mas o novo Kratos que busca ser um bom pai é sensacional – só é difícil entender porque não esquenta o traseiro do moleque quando ele começa a agir por conta própria. A convivência entre os dois é humana, e isso traz uma carga emocional, principalmente nos trechos em que Kratos quer ser mais paizão e não sabe como sê-lo.

Definição

God of War claramente se inspira em muitos jogos de sucesso, que cativaram o público gamer nesta geração, e até em anteriores. E não tem pretensão de esconder isso. A Santa Monica Studios conseguiu extrair tudo o que há de melhor e utilizar na medida certa. Em nenhum momento o elemento RPG do jogo se sobressairá à aventura, por exemplo. Às vezes até parece despropositado, como encontrar um dos oponentes mais difíceis do jogo em uma locação aparentemente aleatória ou coletar orvalho da Yggdrasil, mas tudo é relativo conforme a jornada em Midgard. Uma batalha sem valor para alguns pode fornecer o item que faltava para o upgrade essencial na jornada construída por outro player.

Não surpreenderia – pelo contrário, deixaria até mais valorizado – se jogadores descobrirem mais segredos ao longo da existência do game, assim como o YouTuber brasileiro BRKsEDU encontrou um item revelado por dicas na edição de colecionador do jogo.

Para o jogador comum – perfil que prefiro me enquadrar – o jogo já oferece um pouco disso. Ao explorar uma doca ainda desconhecida, acaba-se encontrando todo um universo construído paralelamente à saga principal – sim, Rei Anão, é com você.

God of War é o jogo que vale a pena ser jogado nesta geração de consoles. Com certeza justifica todo o estardalhaço e as notas recebidas da mídia. Não jogá-lo é privar-se de uma das grandes obras realizadas. Videogame é arte.

 

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