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Metal Gear Survive entrega uma experiência digna com um título tendencioso


Metal Gear Survive (MGS) é um spin-off da franquia e se passa após os eventos de MGS V: Ground Zeroes. Isso se faz necessário para que se mude a abordagem com relação ao jogo. Não espere um novo título, não espere uma obra de arte de Hideo Kojima. Ao mesmo tempo não se preocupe com a relação complicada entre ele e a Konami. A partir do momento que o jogador se desprender dessas amarras e encarar o jogo como aquilo que ele realmente é, um jogo de sobrevivência, que se aproveita do legado que o nome Metal Gear construiu ao longo do tempo, a experiência pode ser interessante. Claro que desde que você seja um entusiasta por jogos com elementos de sobrevivência, RPG, gerenciamento de recursos e afins. É essa a experiência que MGS entrega com solidez, com doses de sci-fi, RPG e stealth em uma mistura que tem seus prós e seus contras.

A Mother Base sofre um ataque e durante a ofensiva um enorme buraco de minhoca (portal que liga duas dimensões distintas) se abre. O nosso avatar evita a entrada no portal, porém seu braço é amputado durante o fechamento. Para não despender muito tempo do review com relação ao início do jogo, o gameplay a seguir contempla grande parte das informações iniciais sem comprometer o desenrolar da história com spoilers. Convido todos a assistirem o vídeo:

Para melhor andamento da leitura, esse review foi estruturado para apresentar pontos fortes e pontos fracos do jogo. Além disso, a experiência do modo multiplayer e após isso, a finalização com o geral do review.

Pontos Fortes:

Sobrevivência, o principalmente elemento do jogo. Em um universo paralelo, em um mundo pronto para te aniquilar, saber sobreviver às condições adversas e falta de suprimento é o ponto alto. E o jogo entrega uma diversificação em cuidados para sobreviver, desde o simples ato de comer e tomar água, até saber se curar de lesões e intoxicação alimentar. O jogo foi construído para atormentar a vida do jogador, tudo em Dite parece pronto para forçar os limites e as capacidades de sobrevivência.

Sistema de alocação de recursos e evolução da base é bem estruturado, ao chegar na antiga base da Força Tarefa Caronte, há ferro retorcido e escombros por todos os lados. Mas a partir do terminar de gerenciamento da base é possível dar uma cara mais amigável ao “lar” em Dite – nome da dimensão que o buraco de minhoca ligou com a Terra. Construir cercas, estruturas de defesa e o que mais for possível para atrasar os ataques das hordas de Andarilhos é sempre visto com bons olhos no jogo. Além disso, é possível construir estruturas que auxiliem na sobrevivência, como uma pequena plantação de batatas e captação de água da chuva, uma fogueira para cozimento de alimentos e purificação de água. Tendas para os sobreviventes descansarem e uma centro de operações para buscar recursos também fazem parte da lista de estruturas para desenvolver a Base. Para realizar as melhorias é necessário matéria-prima como madeira, ferro, prego e uma variedade de itens para construir e melhorar as instalações. 

Portais de ‘viagem rápida’. Não dá para explorar Dite com seu próprio caminhar, sendo assim, a equipe que foi ao mundo antes de nosso personagem acabou por instalar portais que criam pequenos buracos de minhoca para a locomoção entre os diferentes pontos do planeta. A dificuldade com relação a eles é a necessidade de ativação, o que exige do jogador defender o equipamento por um determinado tempo dos Andarilhos que vão tentar destruir o portal.

Desenvolvimento do personagem é bem amplo, a partir da energia Kuban obtida durante o jogo, é possível subir de nível e melhorar as capacidades e habilidades do avatar. A melhoria das habilidades possibilita ter vantagem na hora dos confrontos.

Pontos Fracos:

Sistema de combate físico: logo no início do jogo não há muitas opções de armas de fogo, sendo assim se deve utilizar armas melee, como facas, tacos e lanças. É nesse caos que MGS te lança e onde surge um dos problemas do jogo, a mecânica de combate. Nosso avatar não é dos maleáveis da face de Dite, até acostumar com sua movimentação é possível que apareça uma sensação de raiva durante o gameplay. Com um arco em mãos as coisas melhoraram um pouco, sendo possível recuperar as flechas que ficam encravadas nos Andarilhos.

– Os momentos de ação acontecem sem que você saiba que vão acontecer. Por incrível que pareça, no primeiro momento de defesa de sua base em Dite, o jogo simplesmente não te prepara para as ondas de andarilhos! Por sorte tinha alguns recursos como barreiras, cercas e sacos de areia para proteger o Escavador, mas foi por pouco! O mesmo acontece com a ativação dos portais de viagem rápida, ou seja, sempre ande com estruturas de proteção nos diferentes slots que o personagem possui. Até perceber isso, já havia falhado mais de 3 vezes no mesmo local.

Personagem mudo. É um pouco frustrante que grande parte dos diálogos vistos até o momento da redação desse review não tem o nosso avatar como parte integrante da conversa. Ele é enviado até lá com uma missão e não tem a capacidade de se expressar? É um daqueles detalhes que pode parecer preciosismo de quem analisa, mas que dá uma profundidade na experiência e cria um vínculo entre o avatar e o jogador.

Konami errou, mas…

Logo no lançamento do jogo veio à tona o fato de MGS cobrar 1000 SV para um novo slot de salvamento. O SV é comprado com dinheiro real, um pacote com 3500 SV custa R$ 59, isso foi motivo de mais ódio com relação ao jogo. Realmente, é um tanto quanto duvidoso, mas é a forma que a Konami achou de fazer o pessoal gastar dinheiro no pós-lançamento. Acredito que ela tenha sido infeliz, pois considero que um jogo com progressão de personagem, melhorias estruturais da base e outros elementos que melhoram conforme você progride no jogo, não me motiva a começar um novo jogo depois de terminar. Ainda mais com as missões semanais e diárias que o jogo oferece para obtenção de mais recursos e poder se equipar e preparar para enfrentar os perigos de Dite.

Multiplayer:

Experimentar o modo multiplayer de MGS é um tanto quanto fácil, basta ir ao computador central da base e escolher a opção de ir ao lobby de organização da partida. Depois de 5 minutos procurando jogadores, uma equipe com 3 se formou (faltou um jogador) e demos início à missão, sobreviver e proteger o Escavador das hordas de Andarilho. As coisas funcionaram muito bem com as duas primeiras hordas, mas na terceira e última tudo foi perdido, muitos inimigos e pouca habilidade por minha parte, contribuíram para o fracasso na missão. A experiência com jogadores aleatórios não é da mais satisfatória, uma equipe fechada de amigos, se comunicando e focando em determinadas tarefas durante a missão pode ter um efeito melhor, tanto em resultado quanto em experiência.

Considerações

Metal Gear Survive é um bom jogo! Sofre de um problema que a própria Konami criou pra si, chamá-lo de Metal Gear. Ok! A ambientação do jogo é logo após o fim do Ground Zeroes como já mencionado no início desse review, mas isso foi determinante para como a comunidade encarou o jogo. Com muita desconfiança, com certo ódio em alguns momentos e pegou algumas das coisas citadas aqui para embasar o discurso. Contudo, apesar dos deslizes é um jogo que entrega uma experiência de sobrevivência que eu não me lembro de ter jogado. Encare Metal Gear Survive como o jogo que ele é, um spin-off, um jogo que se passa no universo da franquia mas que não é Metal Gear. Essa é a principal mensagem do review, porque todo o restante da aventura fica mais tranquila (ou não) quando se parte dessa ideia.

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