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The Surge tem brilho próprio como um ‘Souls’ Hi-Tech


Lançado em Maio pela produtora Deck 13 e distribuído pela Focus, The Surge ganhou novo conteúdo adicional agora em dezembro, e foi graças a essa novidade que a GamePress conseguiu acesso ao game. O jogo é claramente inspirado na série Souls, da From Software, e fica até mais próximo destes do que de Lords of The Fallen, da mesma produtora. Só que The Surge utiliza um cenário de alta tecnologia para embalar a trama misteriosa. É o primeiro dia de trabalho na nova empresa, a CREO, responsável pelas pesquisas mais avançadas no mundo, e Warren, o personagem principal, chega de cadeira de rodas para receber implantes que o permitirão utilizar um traje para se tornar um super-humano meio máquina. Aqui já é possível realizar a primeira escolha do jogo, optando por um traje mais leve e dinâmico ou outro pesado e potente. Após passar pelo processo, algo dá errado e o personagem acorda em uma área externa da fábrica da CREO. É aqui que o jogo começa.

O desenvolver do jogo segue uma boa linha, com cenários construídos em torno de uma base de operações na qual é possível salvar o progresso, realizar upgrade do traje – que é o sistema de nível do personagem – e construir ou aprimorar pedaços de trajes e armas. A economia é toda focada em sucata, que são ganhas conforme se derrotam inimigos, podem ser achadas como itens consumíveis ou adquiridas ao destruir implantes inúteis. O jogo oferece a possibilidade de personalização do traje, com cada parte equipada – cabeça, corpo, braços e pernas – oferecendo benefícios, que poderiam ser mais diferenciados, mas cumprem seu papel. Como a cada nova tecnologia descoberta é necessário gastar recursos – alguns itens até bastante raros – para criá-las, e trocá-las não se torna uma necessidade em momento algum, limita-se o uso diferentes peças. Já armas não sofrem este problema. Há uma boa quantidade e variações que podem combinar com um estilo de jogo. Há armas de uma mão, bastões, implantes simples e duplos, mas nada de longo alcance. Quem realiza este papel é um drone companheiro mas que poderia ser melhor aproveitado, pois, apesar das várias funções que ele pode desenvolver, são poucos momentos de real utilidade.

A melhor inovação de The Surge é, sem dúvidas, o sistema de implantes. Com ele é possível configurar o personagem para utilizar da maneira que quiser, desde que tenha em mãos as ferramentas necessárias. Por exemplo, se colocar três implantes de vida, a barra de saúde do personagem ficará maior. O mesmo pode ser feito com vigor e energia. Outros itens adicionais como recuperação de vida, diminuição de perda de energia, ou aumento do dano dos drones, entre dezenas de opções tornam o momento de configurar o personagem um quebra-cabeça chave para o sucesso em determinadas situações. Claro que há um fator impeditivo que é a potência do núcleo. Cada implante, inclusive os itens da armadura, consomem o núcleo. As vezes é mais interessante deixar de usar um capacete para equipar mais um implante que oferecerá um benefício necessário no momento.

VAMOS PASSEAR NO PARQUE?

O conteúdo adicional A Walk in the Park brilha por si só e adiciona ao universo de The Surge algo que ficou faltando no jogo: Vida. Ao adentrar o cenário da nova DLC, é possível entender ali mesmo o que era, o que aconteceu e a função de cada personagem que se faz ali presente. Foi construído todo um parque de diversões, o CREO World, que servia de reduto de férias para os funcionários. O personagem Iron Maus – o equivalente ao Mickey Mouse desta terra de aventuras – é vívido em toda a trama que se passa ali, seja em máquinas de refrigerantes, nos audiologs coletados no local e até em personagens que interagem com Warren.

O CREO World é o único cenário que é necessário voltar e receber uma nova missão no decorrer do jogo, mas mesmo assim ficou como um apêndice ao jogo. É possível imaginar o conteúdo da DLC como um jogo a parte, e com riqueza de detalhes que incluem inclusive um passeio de montanha-russa.

MAIS DIFÍCIL ENTENDER

A mecânica do jogo é familiar, com os botões de ombro responsáveis por ataques e defesa, e os demais por itens e finalização. Esta é outra adição muito legal, pois ao selecionar determinadas partes do inimigo – que inclusive pode ser o ponto fraco dele e gerar mais dano -, pode-se amputar o membro marcado e assim aumentar as chances de obter a parte correspondente ao corpo ou até mesmo a arma que ele utilizava, caso escolha finalizar um braço. Essa lógica serve inclusive nos chefões, o que pode garantir ótimas adições ao inventário.

O jogo não chega a um ponto de dificuldade irritante, mas é necessário estar preparado para morrer diversas vezes e ter que percorrer longos caminhos para recuperar a sucata deixada no local da morte, e com contagem regressiva para recolher aqueles pontos preciosos que podem garantir um nível a mais. Alguns chefes também demandam estudos para entender como derrotá-los, ou seja, várias visitas antes de passar por eles.

Graficamente The Surge satisfaz, embora alguns detalhes merecessem um trabalho mais detalhado, como as luzes em alguns dos trajes do personagem principal, e algumas variações de piso, como areia, que não interagem com o pisar do pesado traje.

A história do jogo não é entregue facilmente. Warren deve descobrir o que aconteceu na fábrica e mesmo após os finais do jogo – são 2, fica a dúvida sobre o que realmente aconteceu. As melhores chances de entender o que se passa é por meio dos audiologs que são coletados durante todo o jogo. Falta também um pouco de lógica sobre o porquê das máquinas reativarem quando o personagem salva o jogo na sala de operações. É simplesmente porque é assim que o jogo foi criado. Assim como na narrativa, falta um contexto que faça o jogador se sentir parte do jogo.

The Surge é um jogo bom que introduziu mecânicas de relevância ao gênero, como os implantes e as finalizações, porém deixa o jogador ligeiramente à deriva e pouco identificado com a trama. O conteúdo adicional A Walk in the Park é essencial e melhora muitos pontos que podem desanimar quem jogar a versão original do jogo, principalmente ao incluir uma grande variedade de inimigos e criar a atmosfera envolvente que falta à fábrica da CREO. Os itens escondidos e algumas missões secundárias oferecidas por NPCs garantem um fator replay e o mistério ao fim do jogo dá margem a uma continuação.

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